5 Razões para Ler “Future Quest – Volume 2”

Se você mora no planeta Terra e não no planeta de Space Ghost ou dos Herculoides, já deve ter ouvido falar nesses e mais outros heróis que abrilhantaram o catálogo de animações do saudoso estúdio Hanna-Barbera na década de 1960.

Depois de décadas sem terem sido retrabalhados em novas histórias, alguns dos personagens clássicos do icônico estúdio retornam agora num novo selo lançado pela DC Comics: o “Universo Hanna-Barbera”, que já vem publicando algumas séries de quadrinhos, dentre elas, a série “Future Quest”, cujo primeiro volume já rendeu uma resenha aqui neste site.

Recentemente, o volume 2 chegou ao Brasil, e foi com imenso prazer que pude conferir essa belezinha literária.

1. Nostalgia

“Future Quest” marca o retorno e a interação entre os maiores personagens de ação da Hanna-Barbera: Jonny Quest, Space Ghost, Os Impossíveis, Homem-Pássaro, Os Herculoides, Poderoso Mightor e Frankenstein Jr. retornam em uma nova e épica história.

A essência dos seus personagens favoritos está ali, intacta, e numa narrativa bem mais elaborada e inteligente do que a das séries animadas que originaram nossos heróis.

O estilo de desenho de Evan “Doc” Shaner lembra totalmente o estilo do grandioso Alex Toth, icônico cartunista que criou o visual dos heróis. A colorização de Veronica Gandini dá uma tonalização avermelhada interessante à pele dos personagens, que torna-os visualmente incríveis e mais sofisticados em relação ao visual das séries animadas, que demandavam uma simplicidade visual maior, em virtude do orçamento e tempo limitados do processo de animação.

Ron Randall e Steve Lieber ecoam o estilo de Shaner através de suas artes, além de haver uma história totalmente desenhada e colorizada por Ariel Olivetti, num estilo hiper-realista bem interessante, mas que pode causar um pouco de estranheza, ainda mais se comparado ao estilo dos demais.

2. Crossover Lendário

Se no primeiro volume, tínhamos uma história central envolvendo a ameaça cósmica que a criatura Omnikron representa, e que era intercalada por histórias individuais de origem de alguns dos heróis (“Future Quest” forneceu as origens de Space Ghost, Os Herculoides, Frankenstein Jr. e Os Impossíveis), aqui neste volume, temos apenas um arco único sendo contado, envolvendo todos.

Todos os heróis, enfim, acabam se conhecendo, e executando juntos um plano em que suas forças e habilidades trabalharão juntas para derrotar o Omnikron.

Se você vibrou em “Os Vingadores: Guerra Infinita”, imagine ver uma narrativa semelhante, porém bem mais completa, e em quadrinhos, em que cada personagem tem seu devido espaço, sua função narrativa e seus próprios conflitos, e melhor, com um final feliz, diferentemente do arrebatador filme da Marvel Studios.

3. Expansão de Universo

O menino Jonny praticamente dá título à franquia. O título “Future Quest” pode ser entendido como um trocadiho entre a palavra “questão” em inglês – “Questão do Futuro”, em tradução literal – e o sobrenome do menino Jonny.

Se você bem se lembra, não sabemos de quem se trata a mãe de Jonny na série animada. Só temos a figura de seu pai, o Dr. Benton Quest. Pois “Future Quest” explica a ausência da figura da mãe de Jonny, que tem a ver com a desavença entre Benton e seu mais imponente inimigo, o Dr. Zin.

Além de revelar esse mistério do passado, a série ainda retrabalha a identidade de alguns personagens secundários, além de introduzir alguns novos, como a nova integrante dos Impossíveis, por exemplo: a Azul-Cobalto.

4. Vilão Mais Assustador que o Thanos

As comparações com a mega-produção da Marvel Studios são inevitáveis, e, sem dúvida, Omnikron é uma criatura cuja consistência já é complexa o bastante para ser definida, quanto mais enfrentada. Não é um ser pensante, e sim, quase uma gigantesca bactéria cósmica que absorve a si tudo que consome.

Nossos heróis têm que “rebolar” de todas as formas possíveis para derrotar uma criatura que, com certeza, não encontra precedentes em narrativas desse tipo.

5. Girl Power

A série ainda aproveita para dar um destaque maior às mulheres.

A presença de uma nova figura feminina, Azul-Cobalto, no grupo dos Impossíveis; a presença da agente secreta Jade X; a proeminência da mãe de Buzz, que fabricou Frankenstein Jr.; o protagonismo de Tara em relação à Zandor de “Os Herculoides”; e a inserção de novas presenças como Deva Sumadi – a “Grande Dê”, elevam a representatividade feminina neste universo super-heróico sempre protagonizado por homens.

Para os fãs mais fortes, ainda, há alguns easter-eggs que não passam desapercebidos. Entre eles, a aparição de Brak e Zorak, alguns dos principais vilões de Space Ghost; além das estampas das blusas à paisana dos Impossíveis, que contém figuras como Morocco Moleza e Hong Kong-Fu.

Essa edição encerra com chave de ouro a aventura muito bem apresentada no primeiro volume. E, através da reunião desses heróis, eleva a mensagem de esperança, altruísmo e amizade, inerentes a esses personagens, a um outro nível.

Fábio Reis é graduado em Design Industrial pela UFAM