Tecnologia e as competências

Nunca antes na história se falou tanto em tecnologia. A Quarta Revolução Industrial ou Indústria 4.0 vem transformando nossas vidas em todas as direções. No mundo do trabalho, os profissionais para acompanhar esse ritmo, precisam se qualificar o tempo todo, já que os processos, procedimentos, produção e tudo o que compõe uma organização também passam pela metamorfose.

Ou seja, as áreas administrativa, operacional e de produção serão impactadas tecnologicamente e precisam se sintonizar como numa orquestra. Acompanhar essa transformação exige um preparo da mão de obra contínuo. Mas, há outras qualidades que serão – cada vez mais – requisitadas!

Mudar ou morrer

Nos negócios, não é diferente! As empresas têm dois caminhos a escolher: ou se modernizam pra continuar no mercado, aumentando a competitividade, concorrendo em pé de igualdade com os demais, ou definham no meio do caminho, justamente por não utilizarem os recursos tecnológicos, que abrem uma vantagem massacradora.

Claro que isso tudo já vem acontecendo há anos, a gente só não sabe precisar quando começou a mudança, porque não há uma linha divisória que estipule o momento exato. Entretanto, sabemos que a partir da explosão da internet, o mundo acelerou e a tecnologia ganhou o planeta, fortificando a tal da globalização.

Capitalismo inacessível

Em um mundo cada vez mais capitalista, o atual estágio tecnológico se apresenta como o “salvador da pátria”, prometendo a solução para os dramas humanos. Um deles é comprar, comprar e comprar, pois o aumento da produção fabril com menos recursos é o sonho mágico. Superficialmente, parece até uma forma de acesso aos invisíveis da economia. Imagina vender produtos bons e baratos para todos, mesmo que muitos consumidores tenham pouca grana no bolso?

Grãos de areia

Essa é uma leitura rasa de um problema socioeconômico muito denso e profundo, que envolve o futuro de milhões de pessoas ao redor do globo que vivem completamente sem as mínimas condições humanas. Então, o discurso de que teremos dias melhores, parece – na verdade – mais distante do que nunca. Não vejo, em médio prazo, uma construção socioeconômica menos desequilibrada ou acessível.

Mudar é preciso

A questão não é imputar à tecnologia a culpa pelas transformações, as quais seguem o fluxo da vida e são sempre necessárias. Já sabemos que o mais legal da inovação tecnológica é poder resolver muitos dos nossos problemas, principalmente os ligados à saúde e à melhor utilização de recursos naturais. Duas áreas fundamentais para a nossa existência.

Em relação aos recursos, se pensarmos que somos quase 8 bilhões de pessoas no mundo, aproveitá-los bem parece uma atitude inteligente. Pois, de acordo com a ONU até 2050 seremos quase 10 bilhões de seres. É muita gente pra um espaço com recursos limitados.

Exército à margem

Enfim, o desenvolvimento tecnológico exigirá cada vez mais a nossa capacitação, que está muito ligada às nossas competências técnicas obtidas por meio dos estudos e com base no aprendizado e na racionalidade. Aí, quando lembro, por exemplo, que milhões de crianças, jovens e adultos não têm boa base escolar, me pergunto o que será desse exército com a robotização dividindo os ambientes de trabalho com a gente?

Cognição e emoção

Mesmo diante de tantos questionamentos que nos deixam meio à deriva no momento, há outro aspecto muito positivo nesse contexto de convulsão que estamos vivendo, que é a oportunidade de despertar nosso potencial interior. Não serão mais as capacidades externas como o aprendizado que farão a diferença em como nos relacionamos com tudo.

Porque, mais que desenvolver os aspectos cognitivos, seremos obrigados a investir nas nossas competências socioemocionais, que são um conjunto de habilidades referentes às nossas capacidades de comunicação, resolução de problemas, relacionamentos em grupos e em equipes de trabalho, flexibilidade, entre outras tantas.

Conseguir manter a Inteligência emocional é perceber o outro e saber agir de modo a conciliar interesses, focar em resultados e manter o equilíbrio nas relações. Além disso, o autoconhecimento do nosso perfil comportamental, aliado ao nosso desempenho cognitivo, será o passaporte pro futuro!

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*Cristina Monte é jornalista, especialista em Comunicação Empresarial (Cásper Líbero), Responsabilidade Social (FUCAPI) e em Divulgação Científica em Saúde na Amazônia (FIOCRUZ-AM). Além disso, Cristina é graduada em História pela UFAM.