O difícil retorno ao trabalho após o câncer de mama

Outubro chegou e com o novo mês chega também a alusão à cor rosa, que nos remete à prevenção do câncer de mama, doença que em 2018, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer, ligado ao Ministério da Saúde, fez quase 60 mil novas vítimas. No Amazonas, a doença deve afetar 440 mulheres este ano. E se já não bastasse a doença, o tratamento, a dor física e psicológica, essas mulheres ainda precisam enfrentar o desafio de retornarem ao mercado de trabalho após o tratamento.

Homens e câncer de mama

Ninguém quer acordar um dia e receber o diagnóstico de ser portador de câncer, mas, invariavelmente, a doença não escolhe classe social, etnia, idade ou gênero. Todos nós estamos sujeitos à doença. Claro que a gente já conhece alguns cuidados básicos que podem “reduzir” a probabilidade do desenvolvimento da doença, como manter um estilo de vida saudável, praticar exercícios físicos e outros cuidados. Inclusive, homens também podem desenvolver o câncer de mama, mas é um tipo raro de câncer e que representa apenas 1% do total de casos da doença.

Elas e a feminilidade

E, se já é um diagnóstico duro por si só, por colocar nossa existência em risco, no caso do câncer de mama, ainda afeta a feminilidade, já que os seios constituem uma das partes mais femininas do corpo e do imaginário da mulher. Isso significa que além do sofrimento, da dor física, do tratamento ser invasivo, muitas vezes, até inacessível, ainda é imprescindível tratar a saúde psicológica da paciente que quer ou precisa retornar ao mercado de trabalho.

Não é novidade que as mulheres – no geral – ganham menos que homens, têm tripla jornada e muitas vezes são olhadas pelos cantos dos olhos em reuniões de trabalho em que os homens são maioria.

O difícil retorno

Se considerarmos as mulheres com câncer, o cenário piora. Pelo menos é o que apresenta a pesquisa “Retorno ao trabalho após o diagnóstico do câncer de mama: Estudo prospectivo observacional no Brasil”, que foi assunto da reportagem do portal A Folha de Vitória. O estudo foi realizado com mulheres entre 18 e 57 anos de idade e que foram entrevistadas por telefone com 6, 12 e 24 meses após o diagnóstico de câncer de mama.

Antes do diagnóstico, 81% das pacientes tinham emprego em tempo integral e 59,5% relataram que eram as principais responsáveis pela renda familiar. A maioria das pacientes (94%) gostava de sua atividade de trabalho e recebeu apoio de seu empregador (73%) depois da identificação da doença. Entretanto, apenas 29,1% de mulheres relataram ter sido oferecido algum tipo de ajuste no seu trabalho, condição importante para lidar com os efeitos adversos do tratamento. Ou seja,a maioria das empresas não ajustaram – de alguma forma – o ambiente de trabalho para receber a funcionária-paciente.

Outra reportagem, agora da Folha de S. Paulo, mostra uma pesquisa realizada no Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) revelando que a taxa de retorno das mulheres ao mercado de trabalho até 2 anos após o diagnóstico é de 60%, enquanto nos Estados Unidos e na Europa esse número chega aos 80%.

Então, após vencer todo o processo que envolve a doença, o retorno ao trabalho é um tropeço, no momento em que a mulher está resgatando sua autoestima, cidadania e a dignidade! Fala sério!


Cristina Monte

Cristina Monte

Jornalista, especialista em Comunicação Empresarial (Cásper Líbero), Responsabilidade Social (FUCAPI) e em Divulgação Científica em Saúde na Amazônia (FIOCRUZ-AM). Além disso, Cristina é graduada em História pela UFAM

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