A autodisciplina do bem

É tanta coisa que a gente tem pra fazer que sobram atividades, mas falta tempo. O que nos resta é otimizar o tempo e focar na tal da autodisciplina. Mas será que a autodisciplina é a solução para todos os nossos problemas? Uma coisa é fato: sem autodisciplina dificilmente alguém conquista objetivos importantes, pois se você tem um sonho, mas não coloca em ação por meio da autodisciplina a mágica não acontece.

Desfocando

Aprendi que se a gente não mantiver a autodisciplina corremos o risco de perder as rédeas da vida e ficar pra cá e prá lá sem perceber as boas oportunidades, que passam correndo na timeline da vida. Pra domar o tempo, o melhor comportamento é desenvolver a autodisciplina.

E não é nada fácil ser disciplinada, devo confessar que – pra mim – é um exercício diário, porém fundamental pra me guiar nos meus projetos. Por isso, aprendi há cerca de mais de 32 anos a levar esse negócio de autodisciplina a sério. E foi na academia de ginástica, nos idos da década de 80, ainda no século XX, que comecei a desenvolver a minha.

Muito mais que ginástica

Naquela época a gente não se preocupava muito com saúde, então as academias de ginástica não eram espaços importantes ou de destaque como são hoje em dia. Pouca gente frequentava. Anos depois, com a divulgação massiva da mídia, o reforço dos médicos e o agravamento de doenças essa realidade se transformou e houve um boom no mercado de academias.

Mas, ainda em 80, só pra você ter uma ideia, praticamente as mulheres não frequentavam nem a área da musculação, a qual será dominada por alguns marmanjos mal encarados. Nós, as meninas, ficávamos restritas a tal da ginástica aeróbica, usando polainas a la Jane Fonda, que era a musa inspiradora e entusiasta do novo estilo de vida. Aquilo me pareceu algo bem saudável e resolvi investir um tempo ocioso naquela atividade, que agregava a sensação de bem-estar.

Como você vê, não tínhamos muitas opções. Ou fazíamos ginástica ou ginástica. Como sempre fui atrevida, eu a uma amiga tínhamos a cara de pau de ir até a área da musculação e fazíamos alguns exercícios, mas mais impulsionadas pela atitude do que por benefícios físicos que mal conhecíamos.

Substituindo hábitos

Independentemente disso, comecei a levar a rotina da academia a sério. Criei o hábito, coloquei na minha agenda e separei aquele tempo pra isso. Passei a me sentir bem mental e fisicamente, mesmo com exercícios doloridos a rotina saudável me criava um hábito positivo.

De lá pra cá, não tem sido fácil manter a rotina diária de exercícios físicos, que cada vez mais são importantes para a saúde, porém, diante de tantas atividades, há dias que quase os deixo de lado, mas a autodisciplina desenvolvida não me deixa desistir. Trouxe esse exemplo de autodisciplina pra muitas áreas da minha vida. Hoje sinto que esse investimento consciente é responsável por muitos êxitos alcançados.

Autodisciplina e produtividade

Observe que as pessoas mais produtivas são as mais ocupadas. Elas têm autodisciplina. Se você quer ou precisa que alguém faça algo, peça a uma pessoa muito ocupada. Certamente, ela vai encaixar a demanda na sua rotina e vai finalizar o que lhe foi solicitado. Porque se organiza, se planeja e faz acontecer.

Agora se você pedir algo para uma pessoa indisciplinada dificilmente terá retorno. Só receberá uma avalanche de desculpas, colocando sempre a culpa em circunstâncias ou em outras pessoas ou situações. Essas pessoas nunca vão pra frente. Costumo fizer que vivem dando um passo pra frente e dois, pra trás!

Andando em círculos

Elas têm os planos mais maravilhosos, sonhos incríveis, um poder de julgamento excepcional, mas na hora da disciplina pra colocar em ação, não saem do lugar. Os anos passam e você as encontra depois de 10 anos e tudo continua na mesma, sem evolução!

Em ação

E como a gente pode desenvolver a autodisciplina? Treinando a mente, substituindo e construindo novos hábitos. Você precisa ter um motivo (motivação) que justifique fazer ou deixar de fazer algo que não está te fazendo bem. Podemos chamar isso de visão de futuro. Exemplificando, você está muito acima do peso e isso está te causando uma série de doenças.

Então sua visão de futuro pode ser: emagrecer 10 quilos nos próximos seis meses. Nesse período, você precisa traçar vários alvos pra alcançar a visão: procurar um médico, fazer uma bateria de exames, mudar a alimentação, fazer ginástica, entre outros. Cada alvo vai exigir autodisciplina ou treinamento para que se mude o padrão e saia da zona de conforto.

Todas as vezes que você estiver se vestindo pra ir à academia, por exemplo, observe em qual momento sua mente insiste pra que você não vá, pra que você continue em casa ou no trabalho, pra que você use o tempo com algo mais importante (como se saúde não fosse o mais importante), enfim.

No momento exato que você se pegar em plena autossabotagem transforme o pensamento injetando ideias positivas. Tipo “estou emagrecendo”, “sinto-me bem quando estou na academia”, “meu corpo fica mais leve”, e etc.

De grão em grão

O processo de autodisciplina não precisa e nem deve ser radical ou angustiante, pois muitas vezes, a gente começa a mudança, mas por ser radical demais, acaba desistindo no meio do caminho. Então procure ir fazendo as substituições gradativamente, mas, avance!

A dica é estabelecer pequenas tarefas e ir anotando conforme sua implementação, que deve ser diária, criando uma nova rotina. Anotar e acompanhar os resultados dá uma visão mais holística do projeto em andamento. Também é muito importante ir se recompensando. É um estímulo! Se você fez uma boa substituição, recompense e vibre pela conquista. E se deu uma derrapada, volta pra pista e bola pra frente!

Sem exageros

Você pode aplicar essa técnica pra qualquer situação da sua vida. No trabalho, na escola, em relacionamentos, por exemplo. Porém, não se vive só de autodisciplina.

É preciso que a gente identifique quais são os nossos projetos que precisam desse investimento, porque não dá pra ser autodisciplinado o tempo todo. A pessoa se torna prisioneira de um comportamento que lhe causa muita frustração, já que muitas vezes o cumprimento de tarefas não depende apenas da escolha individual. A pessoa corre o risco de ficar metódico demais, ter dificuldade em relaxar e se relacionar com os demais.

Na nossa gestão de tempo é preciso deixar um espaço pra não fazer nada ou apenas investir no que se gosta e o que se quer fazer pelo prazer ou satisfação pessoal. É importante pra saúde mental, física e emocional do indivíduo. Não fazer nada é fazer muita coisa!

www.cristinamonte.com.br

*Cristina Monte é jornalista, especialista em Comunicação Empresarial (Cásper Líbero), Responsabilidade Social (FUCAPI) e em Divulgação Científica em Saúde na Amazônia (FIOCRUZ-AM). Além disso, Cristina é graduada em História pela UFAM.

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