Embarcações podem suspender atividades no Amazonas

Manaus (AM) – O deputado estadual Josué Neto (PSD) disse, nesta quinta-feira, 24/5, na tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), que assim como os caminhoneiros de todo o país, os proprietários de embarcações já avaliam uma paralisação caso continuem as constantes altas nos valores dos combustíveis.

O parlamentar afirmou que recebeu mensagens pelo celular de donos de embarcações completamente insatisfeitos com a alta do diesel nas cidades do interior como Parintins, Urucurituba, Itacoatiara e Urucará.

“Na quarta-feira o presidente Temer pediu que houvesse uma trégua de três dias nas paralisações e que está trabalhando nisso desde domingo, mas não foram as palavras do presidente Temer que me fizeram subir aqui. Eu realmente estou muito receoso porque nossas estradas são nossos rios e o Brasil está sofrendo com a greve dos caminhoneiros. Já existe uma mobilização em alguns municípios do interior, por parte de quem trabalha com embarcações, que estão extremamente decepcionados e passando por problemas difíceis com a alta dos preços”, disse.

Em uma das mensagens o dono de embarcações que atuam em Parintins, Maués e Urucurituba, Reginaldo Duarte, disse em apenas uma semana o valor do diesel subiu de R$ 3,70 para R$ 4,20.

“Todos os dias há aumento de combustível. Está difícil para trabalhar com transporte de passageiros pelos Rios da Amazônia. O povo reclama e deixa de viajar com o aumento da passagem que vamos ter que corrigir de imediato. Faça alguma coisa contra o aumento abusivo da gasolina”, afirmou Duarte.

O presidente do Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial do Amazonas (Sindarma), Galdino Alencar Júnior, confirmou a possibilidade de paralisação. Segundo ele, a alta do combustível “está mexendo com todo o setor de transporte” porque o valor do óleo diesel representa mais de 60% do custo operacional das viagens.

“Estamos aguardando o desenrolar dessa negociação dos caminhoneiros mais apoiamos fortemente o movimento deles. Não descartamos uma paralisação geral, pois como transportadores fluviais também sentimos na pele a dificuldade e o prejuízo acumulado ao fecharmos a conta de cada viagem”, disse.

O presidente da Federação Nacional das Empresas de Navegação Aquaviária (Fenavega), Raimundo Holanda, disse que todo setor de embarcação do país já está sendo afetado pela paralisação dos caminhoneiros, e acrescentou que “se o Amazonas decidir por uma paralisação terá todo o apoio da Federação”.

Segundo Josué Neto, o combustível corresponde a 1/3 do custo do transporte e as altas impactam diretamente no setor de logística e no transporte de passageiros pelos rios do Estado.

“Estou aqui cumprindo com a nossa função e atendendo o pedido de um homem simples que fez um pedido a esta casa para que a gente possa fazer algo pelo nosso Estado. Porque a gente sabe que o nossos rios são nossas estradas e nossos caminhoneiros são nosso comandantes de embarcações”, disse.

Em todo país os caminhoneiros paralisaram as atividades e fecharam estradas impedido a passagem de carga. Em vários estados já ocorre a falta de combustível, alimentos e outros produtos que normalmente são transportados via terrestre.

A paralisação, que já dura quatro dias, também já está afetando o preço de produtos e serviços em 25 estados e no Distrito Federal.

O presidente da República, Michel Temer, pediu uma trégua de três dias aos representantes dos caminhoneiros para encontrar uma “solução satisfatória” sobre o preço dos combustíveis.

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